terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Cartola - Preciso me encontrar

"Quero assistir o sol nascer,
Ver as águas dos rios correr,
Ouvir os pássaros cantar,
Eu quero nascer e quero viver...

Deixe-me ir preciso andar,
Vou por aí a procurar,
Rir pra não chorar."


sábado, 30 de novembro de 2013

Terra Fria

"A partir do dia 1° de dezembro, as bibliotecas públicas Roberto Santos, Viriato Corrêa, Monteiro Lobato, Cora Coralina e Pedro Nava fazem parte da grade do evento “16 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra a Mulher”. A programação promove leituras e exibição de filmes visando estimular um compromisso social ainda maior por parte da sociedade e de órgãos públicos com relação a essa problemática."


Chorei demais em várias cenas. A cena em que seu pai pega o microfone e a defende em frente de toda a plateia masculina. Cena em que ela fala com seu filho sobre o abuso que sofreu do professor na adolescência.


Curiosidade:
"O filme é baseado no caso Lois E. Jenson versus Eveleth Taconite Co., relatado no livro Class Action (sem título no Brasil). A personagem Josey Aimes (Charlize Theron) é baseada na americana Lois Jenson, que começou a trabalhar na mina em 1975 e sofreu assédio sexual durante 13 anos até apresentar a primeira queixa na justiça."




Ano: 2006
Dirigido por: Niki Caro
Com      Charlize Theron, Frances McDormand, Sissy Spacek mais
Gênero: Drama
Nacionalidade: EUA

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Vozes Dissonantes

Aí, Denise Stoklos.
Outro caso de amor.
Como amo ver você no palco. Me traz alegria, me faz pensar, me faz sentir viva.

QUE SEMPRE TENHAM ECO AS VOZES DISSONANTES !

"Se pudéssemos compartilhar as riquezas que são nossas. Se pudéssemos compartilhar o mundo."
"Essa riqueza de que somos donos, só chega até nosso conhecimento quando tá banalizada, trivializada..."
"...Eles, não satisfeitos, devoram os pobres dessa terra. Devoram os braços dos pobres que servem à terra. Dia-a-dia"
..."Antropofagia aceita..."

Gostei da cena em que Pedro Alvares Cabral está "descobrindo" o Brasil e em conversa, alguém pergunta pra ele:

"... Cabral, levou a cruz? Não?? Como assim, não levou o logotipo da empresa?"

"...Injustiça social. E a justiça que sabe de tudo, não faz muito pra mudar nada..."

"...Somos divididos em 3 classes: Os que ganham muito, os que ganham nada e os que estão devendo..."

"Enquanto divulgo ideias de liberdade, as revistas divulgam ideias dos ídolos... Temos que estimular novos hábitos..."

"Continuamente levamos tiros nas nossas esperanças e amor..."
"...Me comovo todos os dias com meu povo que levanta pra trabalhar. Toma seu banho e sai, tem que sair pra receber aquilo que não lhe paga a esperança. E sai pra ouvir e ver publicações  sobre gente que faz sucesso, tem automóvel e é feliz."
"...Me comovo com meu povo que vai dormir sem mãe, sem beijo e sem livro...Me comovo com meu povo que tem medo de enchente, de ficar sem dinheiro..."

domingo, 17 de novembro de 2013

Blue Jasmine

Gosto muito de como os filmes do Woody Allen começam.
Um jeito todo particular, sempre com uma trilha de jazz. Já fico com uma sensação boa, logo de cara.

Achei o filme bom.
Excelente mesmo foi a atriz Cate Blanchett. Faz ótimas cenas em que demonstra toda a crise financeira e psicológica que está passando.
Momentos que ela fala sozinha contando sobre as coisas que aconteceram, momentos em que algum comentário a faz lembrar sobre o seu trauma. As cenas que ela bebe, fica paralisada, fala sozinha...Perfeitas! Faz entrar na angustia da personagem.


Direção: Woody Allen
Gênero: Drama
EUA
Ano: 2013

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Amor


Cheguei com antecedência ao instituto, então, me sentei em um banco próximo de uma árvore para ler um pouco. A medida que ia virando as páginas, percebi que tinha uma formiga na minha mão. Tirei a formiga e continuei a leitura. Logo, outra formiga. Olhei minha mão com mais atenção, e mais algumas formigas. Imediatamente me levantei me debatendo e coçando, pois, tenho certa agonia desse bichinho pequeno que me faz ficar com o corpo inteiro arrepiado e incomodado. Então, fui para a sala. Já sentada, na espera do inicio do filme e ainda com coceiras pelo corpo inteiro, percebi uma movimentação no meu rosto, próximo ao meu cabelo. Puta! Outra formiga. Peguei subitamente, como que num reflexo da aflição de sentir aquele inseto passeando em mim. Então, esmaguei pegando-a pelo indicador e o polegar. Me levantei morrendo de vergonha. Já pensou as pessoas vendo formigas descerem pela minha cabeça? Fui ao banheiro. Me debati inteira. Me olhei no espero. Baguncei meus cabelos. Pulei para que elas caíssem ali mesmo. Voltei e me sentei de novo sem sossego. E logo, passado alguns minutos: outra danada novamente desce da minha cabeça em direção ao meu rosto. Esmaguei a formiga. Fiquei desolada. Poxa! Eu tinha ficado tão pouco tempo sentada no banco, como que elas conseguiram entrar até nos meus cabelos? 
As coceiras e incômodos perduraram até eu ir embora. Mas não senti mais nenhuma formiga descendo da minha cabeça.

Enfim, sobre o debate
Eu  Já tinha assistido a esse filme, mas quis ir à USP para conferir a discussão sobre a morte.
Como todo debate nos faz pensar pontos que não tínhamos percebido antes.

O homem ser cuidador da mulher. É uma questão importante, pois, rompe com a visão de que só a mulher é a cuidadora.
A água corrente da torneira. Sempre a torneira fica aberta com a água sendo esbanjada. Não é como se ali fosse simbolicamente a vida? Fluindo...Correndo... Indo embora.
Outro momento, em que o pombo é pego. Ele cobre o pombo com uma manta. Agarra o pombo, acaricia. Depois, escreve que enfim conseguiu pegar o pombo, mas que no final o deixou ir embora. Isso acontece quando ele já tinha sufocado a mulher dele. Então, não parece que pegar o pombo representa que ele pegou a vida. Como ele estava fazendo ao cuidar da mulher dele. Tentando capturar a vida dela. Deixá-la viva. Mas no fim, ele deixou o pombo ir embora, assim, como também deixou sua mulher ir.
Momento em que ele conta a história que foi para uma espécie de acampamento e a sua mãe diz pra ele mandar cartões postais com estrelas, caso o acampamento não estivesse bom e quisesse ir embora dali. Ele contou que fez um cartão postal cheio de estrelas e mandou para a mãe. Ele comenta que nunca mais viu esse cartão e quem dera encontrar de novo. Como se esse cartão pudesse falar sobre a situação em que ele ou ela estava e queria sair. Em seguida, ele sufoca Anne. Assim, como a sua mãe também o libertou do acampamento, depois, de ter recebido o cartão, ao sufocá-la ele se liberta e liberta Anne da situação angustiante e sofrida que estava.
Talvez a forma que ele a matou sirva até para nos propor uma experiência sensorial desse lado brutal que é a morte.

2013
Dirigido por Michael Haneke
Com: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert mais
Gênero: Drama
Nacionalidade: França , Alemanha , Áustria

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Pelo fim da revista vexatória

Ahhh se todos os juízes fossem como João Marcus Buch.
Homem admirável. Sem dúvida fez toda a diferença nesse debate.

Sobre o seminário, alguns pontos que quero colocar e outros que se relacionam com o que ouvi nesse dia.

É claro que há muitos presos e é preciso disciplina, mas disciplina não está relacionada ao desrespeito e violação dos direitos. 
Hoje a realidade da revista nos presídios implica em xingamentos ao corpo, xingamentos pessoais. Crianças são chamadas de "bandidinhos" e as mulheres "vagabundas, putas, safadas". Muita gente deixa de ir ás visitas pelas humilhações. Há uma invasão ao corpo e dignidade humana, principalmente para as mulheres.
O agente penitenciário é tão sofredor quanto, pois passa a ser preparado não para a função de administrador das relações humanas, mas sim, para a função de carrasco, figura opressora e punitiva tanto dos presos, como dos visitantes. Os agentes são treinados continuamente e se tornam embrutecidos pelo sistema prisional, sistema esse que em sua missão não articula e pratica a ressocialização para o resgate da dignidade e potencialidades das pessoas em situação de cárcere, mas sim, age a favor da punição, alienação, situações degradantes e contínuas ações violentas que cooperam para que esses indivíduos saiam desses locais muito piores do que entraram. É percebido que quem sofre o desrespeito e violação dos direitos não é somente o preso, mas também a sua família. Há uma inspeção marginal. Marginaliza o sujeito constituindo no outro aspectos pejorativos, e isso decerto influencia em sua construção de identidade e sua atuação na sociedade.
Há uma visão de que se a pessoa errou é merecedora de ser desrespeitada e ter seus direitos transgredidos. Assim, também os familiares muitas vezes são conformados com essa situação, pois, foram contextualizados a pensarem que é esse o sistema e é isso que merecem. O sistema punitivo que não ressocializa não vai diminuir os delitos, assim, como a revista vexatória não reduz a entrada de drogas e celulares nos presídios, ao contrário disso, é mais um agravador dessa realidade prisional com consequências sociais e efeitos colaterais negativos para toda a sociedade que é quem vai receber esse preso em liberdade e conviver com as suas famílias.
Outra questão nos presídios é a manutenção do patriarcado. Os presídios femininos não têm muitas visitas, ao contrário dos presídios masculinos. É uma especie de "lei" para as mulheres que têm seus homens presos, não podem abandoná-los e têm que visitá-los. Já as mulheres presas muitas vezes são abandonadas, não veem seus filhos, pois depende de alguém para levar. Não existe visitas íntimas em presídios femininos. E nas revistas o corpo da mulher está muito mais disponível para ser invadido. Os homens em revistas, muitas vezes não têm que tirar a cueca. A mulher tira toda a roupa, mesmo que esteja menstruada; se agacha e com um espelho os agentes olham o seu ânus e por dentro da vagina.
Cabe ao Estado instalar o Scanner corporal para a revista e treinar os agentes penitenciários de maneira humana e reflexiva para mudar a realidade dos presídios. Isso solucionará muitos dos seus problemas também, pois, os funcionários também vivem num esquema onde são oprimidos pelo sistema prisional e passam a ser opressores das pessoas em situação de cárcere.

http://www.conectas.org/pt/acoes/justica/noticia/5443-seminario-debate-revista-vexatoria

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Espaços

Criei asas para dentro de mim
Endureci?
Me enchi de coragem para viver a minha vida
Me afastei dos outros pra me aproximar de mim
Me perdi?
Fiquei sem sentidos
Fiquei sem amigos?
Quando passei a não pertencer mais
Quando fui esquecida
Fiquei só?
Quando me dei conta, que o que conta são as coisas pequenas
Quando a emoção foi pra razão?
Quando perdi a rima e algumas coisas que anima?

Nessa busca de sentidos, com sentidos, que não sei se faz sentido
Vivo a buscar, vivo a me perder pra me achar
Uma constante caminhada em busca da alma lavada
Eu ando, eu ando pelo mundo.
Expondo o meu modo, mas canto para quem?
Eu ando pelo mundo, mas meus amigos, cadê?


Sula 
Nas últimas linhas: Adaptação da música da Adriana Calcanhoto

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Meditar!

A concentração nos pensamentos negativos em relação a vida e a nós mesmos, são nada mais que OBSTÁCULOS.
E os obstáculos impedem que possamos ver com clareza as coisas boas que temos em nós e na vida.
Quando a gente concentra só no que é ruim, perdemos tanta energia e tanto tempo, que não avançamos.
Aprender a escolher onde concentramos os pensamentos. Esse é um dos lances de meditar!

http://casadedharmaorg.org/

Casa de Dharma
Rua Augusta, 2333 cj.09 - 5º andar - Jardins
NÃO TEM ELEVADOR

sábado, 19 de outubro de 2013

Exposição Resistir é Preciso

Depois de ver no CCBB a exposição sobre a luta contra a ditadura militar feita pelo instituto Wladimir Herzog, curtimos a degustação de variadas cervejas, com uma calorosa discussão que "atacou pessoalmente" o meu amigo Stanley. rs

Na exposição, eis que encontramos o poema dele.

"De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
A garrafa, prato, facão
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção."

Vinicius de Moraes

 





CCBB SP
   Dia 12 de outubro de 2013 a 6 de janeiro de 2014.
 
 
Cervejaria Karavelle
Alameda Lorena
Cervejas que mais gostei foram a Premium Pilsen e a Keller.
Ambiente bacana, no entanto, no que refere-se a meus perfis de pessoas preferidas, ainda gosto mais do meu porão Lapeju e das redondezas do baixo Augusta.
Mas foi bom para variar.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

37° Mostra Internacional de Cinema

E dada a largada para a 37° mostra internacional de cinema.
Está um absurdo de lindo a capa desse ano.
Ontem tive o prazer de assistir Dr. Fantástico e Barry Lyndon na maratona Kubrick no Cinesc.
Em seguida do último filme, houve debate com a presença forte e marcante da Christiane Kubrick.

Mas é inacreditável os ingressos custarem tão caro, sendo que esse é um evento com muitos patrocínios. Até o material de distribuição com a programação é cobrado.

No intervalo de um filme para o outro, tive o privilégio de encontrar com uma figura chamada "Verdy". Um senhor que encontro há três anos pela região da Augusta. Ele é vendedor de livros e toda a bugiganga que possa lhe trazer algum dinheiro para infelizmente sustentar o seu vício pelo crack.
Já almocei com ele há dois anos atrás; ele já me deu uma carona num guarda chuva quebrado; Já tomamos café juntos e mesmo assim, todas as vezes que ele me encontra é como no filme "Como se fosse a primeira vez", ele nunca se lembra de mim. E em nossa conversa ele muitas vezes pergunta coisas que ele já perguntou antes. Ele relata que teve aneurisma e outros problemas que comprometeram a sua memória.
Mas o cara é um gênio. De uma tamanha espontaneidade e honestidade. Conhecedor de todos os filmes, atores, diretores. Consegue discutir com muita sensibilidade e propriedade. Parece ser de uma família de intelectuais, pelas histórias que me conta.
Tomamos mais um café juntos e comemos pão de queijo e bolo de café. Ele falava com todos que passavam. Elogiando as roupas, cabelos e puxando assuntos interessantes a respeito de cada um que por ali passava. Inicialmente algumas pessoas olhavam com repúdio, mas logo se rendiam a simpatia do Verdy. Normalmente quando ele fala de algo que considera muito bom, com entusiasmo ele diz: "Jack Nicholson é um luxo". rs Sempre dava risada quando ele falava "luxo". E muitas vezes ele me chamava de "Santinha". "Não santinha, minha cabeça não é muito boa, você sabe!".
Infelizmente o vício está acabando com ele. Está com 67 anos. Com dificuldades de andar e bem magro. Não consegue se livrar do uso das drogas, apesar de ter ajuda da irmã. Ele me disse ontem á respeito da morte: "Eu preciso ir embora, tenho que ir". No que respondi: "Eu não queria que você fosse".
Tentamos um ingresso gratuito para ele entrar, mas o pessoal da Mostra não liberou. Nos despedimos depois de mais de duas horas conversando e mais uma vez ele se foi. Dessa vez como das outras, não sei quando ou se o encontrarei novamente.

"A vinheta da 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo foi criada por Amir Admoni com sonorização de André Abujamra; a animação é baseada na aquarela "Ensaio na Chuva" de 1974, feita pela esposa do cineasta Stanley Kubrick, Christiane. A aquarela foi feita durante as filmagens de "Barry Lyndon", na Irlanda, e representa o diretor e um de seus atores nos ensaios antes das filmagens."



quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Poema de Natal

Para celebrar o seu centenário!

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:

Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:

Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:

Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes

Quietude


Sem intenção
A sensação de bem estar provoca emoção.

Sem entender porque
A alegria vem sem nada dizer

Sem nada pra contar
A felicidade se instala e leva o choro pra lá

Sem motivo pra rima
Me vem a palavra que sublima

Sem nova ação
Esse vazio me provoca excitação

Tão sem querer
Me inspira a poesia pela graça e não pelo que teima em doer.


Sula.

Minhas Tardes com Margueritte

Margueritte: ...Assim pensa o autor, Romain Gary que adorava sua mãe.
Germain: Por quê. Não é uma história inventada?
Margueritte: Não, é a história da vida dele.
Germain: E se tivesse sido o contrário?
Margueritte: O contrário?
Germain: Sim. E se ele não fosse amado pela mãe, o que teria acontecido?
Margueritte: Sei lá. Se uma criança não recebe amor durante a infância, precisa descobrir tudo depois, não?
Germain: Não sei nada sobre isso. Não sei.

Margueritte lendo pra ele é lindo demais.
As cenas que voltam para a infância do Germain foram essenciais para o sentido do filme. Prato cheio para trabalhos e reflexões em psicologia.

Amei.


Direção: Jean Becker
França / 2010
 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Passageiro


Queria escrever algo bonito sobre a vida.
Queria escrever alguns caminhos, alguns passeios, alguns autores, algumas atitudes para se realizar e ser mais feliz.
Mas, paro e penso sobre o quanto tudo muda tanto e todo o tempo.
Penso no quanto as coisas são efêmeras e como a felicidade é como um rio: fluído e imprevisível.
Não se sabe ao certo para onde vai, só sabemos que corre.
E essa sensação de natureza me faz ter mais tranquilidade.
Tranquilidade para a felicidade, para a tristeza, para a raiva, para a angústia. Tranquilidade para todos esses estados da nossa vida que por mais que desejamos ou não que sejam permanentes, só há a certeza de que fluirá como o rio. Vai embora.
E essa certeza de que irá, me dá um sossego danado para aproveitar o que está.
Aproveite com tranquilidade até dos estados de tristeza, pois, eles irão.
Empenhe-se em dizer e viver todas as verdades que julgar sobre seu estado de felicidade, mas lembre-se que também esse é como o rio.
Se estou num êxtase de paixão e felicidade, logo estou na angústia e desespero.
Se fico triste e raivoso, logo ficarei feliz e esperançoso.
Não há verdade permanente na vida.
A verdade é transitória de acordo com o rio dos nossos sentimentos.

Sula.

O Homem que Ri

Poxa vida, que filme bacana!
Mas acho que foi menor do que poderia ser em relação a trazer uma reflexão mais densa dentro do universo Victor Hugo. Acho que o diretor foi bem leve em relação a crítica política de como a busca pelo poder e domínio contribuem para opressão, miséria e descaso com as pessoas diferentes e de outras camadas sociais.

"As pessoas não são tão más. Elas são perigosas quando têm medo. Elas têm medo de tudo que é diferente".
"...A felicidade deve ficar escondida..."
"...A vida é só uma longa perda daqueles que amamos"


País: França/2012

Direção: Jean-Pierre Améris

Frances Ha

Graça e delícia de filme. Trilha sonora ótima. Cenas engraçadas, doces, sensíveis e reflexivas.
Bem colocado na crítica do site da folha, cena que adorei:

"É preciso estar de mal com a vida, ter o coração de pedra, ser ruim da cabeça ou doente do pé para resistir à cena de "Frances Ha" em que a protagonista sai correndo e dançando pelas ruas de Nova York ao som de "Modern Love", de David Bowie."

"...Oferece um retrato preciso sobre aquela fase da vida em que não sabemos exatamente que rumo tomar, o que fazer da vida --uma fase que, em alguns casos, teima em durar."


DIREÇÃO Noah Baumbach
PRODUÇÃO EUA, 2012

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Sozinho

“Eu sozinho sou mais forte, minha alma mais atrevida. Não fujo nunca da vida, nem tenho medo da morte.
Eu sozinho de verdade, encontro em mim minha essência, não faço caso de ausência e nem me incomoda a saudade.
Eu sozinho em estado bruto, sou força que principia, sou gerador de energia de mim mesmo absoluto.
Eu sozinho sou imenso, não meço nunca o meu passo, não penso nunca o que faço e faço tudo o que penso.
Eu sozinho sou a esfinge pousada no meio do deserto que finge que sabe o que é certo, e sabe que é certo que finge.
Eu sozinho sou sereno e diante da imensidão de toda essa solidão o mundo fica pequeno.
Eu sozinho meu caminho: sou eu, sou todos, sou tudo. E isso sem ter, contudo, jamais ficado sozinho.”
Paulo César Pinheiro

Escolha

“Porque a tudo dou fim depois de dura conquista, é que se a dor me contrista não tenho pena de mim.
Não é que eu seja ruim e nem sequer masoquista, mas é meu ponto de vista, mereço sofrer assim.
Mas se pra que o verso exista, tiver que a dor dizer sim, então serei fatalista: A dor que acenda o estopim e o homem mate-me a fim de que não morra o artista.”

Paulo César Pinheiro

domingo, 22 de setembro de 2013

A Casa dos Homens

Sobre a peça, abordou de maneira ousada e desafiadora a questão da sociedade machista em que vivemos.
Textos como esses são importantes para romper com padrões de ações e oferecer outras possibilidades de reflexão sobre o nosso contexto.
Gostei muito das cenas. Marcante a cena da delegacia da mulher, em que a delegada, questiona o porquê a reclamante de abuso sexual estava na rua aquela hora, já que sabia que algum delito poderia acontecer. Ou seja, a própria delegada num ambiente de apoio à vítima mulher, argumentou embasada no machismo que está impregnado em nossa cultura. Oras essa, para a delegada a mulher que fique em casa e use roupas adequadas, ou então, ela mesma será culpada pelo abuso que poderá sofrer.
Com isso, é importante também pensar que os (as) próprios agentes públicos muitas vezes não têm um ambiente que possibilite refletir sobre as questões da mulher, mesmo trabalhando em um lugar que preste atendimento para essas. As pessoas são alienadas continuamente pelos meios comuns de comunicação, escola, ambiente de trabalho... que reproduzem um padrão de comportamento pejorativo no que refere-se a mulher. 
Os meios de comunicação estimulam o patriarcado com suas propagandas, novelas, filmes. A escola ensina sobre os brinquedos de meninas e de meninos separadamente. As meninas não podem brincar de carrinho, os meninos muito menos podem brincar de bonecas. As meninas têm que cozinhar no fogãozinho de brinquedo, já os meninos jogam vídeo game.
O menino também ao longo da vida é oprimido ao ser ensinado que "homem é forte"; é ensinado que não pode chorar, pois é coisa de "maricas"; não pode usar rosa; não pode brincar de casinha; não pode brincar de boneca.
E ao ser oprimido, como diria o grande Paulo Freire: Vira o opressor. Passa então, a ser opressor da mulher. Ele é quem pode tudo. A mulher é frágil e está submetida as suas condições.
Mas homens e mulheres são iguais criaturas humanas. A questão da humanidade deve preceder a questão de gênero. E a busca de igualdade não refere-se somente ao trabalho e divisões de tarefas domésticas, mas sim, igualdade no que tange o respeito pelo ser humano, independente de ser homem ou mulher.
No entanto, o homem também tem que ser libertado dos padrões de comportamento a que foi submetido. Por isso, feminismo não deve ser a luta da mulher contra o homem, pois, assim, iríamos para a outra esfera do preconceito. O feminismo tem que ser a luta pela quebra desse pensamento estagnado a que nós somos estimulados. Devemos lutar por esclarecer nosso direito ao respeito, nosso direito por igualdade de direitos e direitos esses que são óbvios. Direitos que são do branco, direitos que são do negro, direitos do baixo, direitos do alto, direitos do novo, direitos do velho. Direitos iguais e respeito que independe da questão de cor, sexo, raça, religião. 
 
Infelizmente nós somos ensinados a tratar o respeito de acordo com a circunstância do outro. A condição de ser humano não é o suficiente para ter o respeito. O seu estado (rico, pobre, branco, negro, mulher, homem) é que vai ditar o respeito e direito que terá.


Se é pobre e negro não merece respeito;
Se é rico e elegante merece até espumante;
Se é mulher, vista-se formosa ou então, leva um grito desrespeitoso de gostosaaa;
Se tem dinheiro e status financeiro vira até o meu herdeiro;
Mas se está desempregado seu lugar é do outro lado.


Após a peça houve o debate "Feminismo, Cultura e Política" com a Fernanda da Cia Kiwi de teatro.
Noite boa e proveitosa.
Peça: A Casa dos homens
Coletivo 2° Opinião
Sede Luz do Faroeste

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Ensolarar

Mais um dia de indignação, porém de esperança, amor, troca e inspiração.
Com parceira Vera no projeto junto a Penitenciária Feminina de Santana.
 
Que um dia esse sol que nos ilumina
Possa brilhar com igualdade para todas as pessoas.
Que um dia esse sol que nos ilumina
Possa refletir justiça e iguais oportunidades.
Que um dia esse sol que nos ilumina
Possa aquecer todos os corações e acabar com todo esse padecimento.
 
Sula.

 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Família Vende Tudo


Excelente!
Por Sérgio Vaz (poeta da periferia)

Vendo barraco de madeira
com vista para o córrego
com água e esgoto desencanado
dois por quatro, sem tramela
com buraco
para o frio em entrar.

Devido a pressão
vendo jogo de vazias panelas
frigideira sem óleo
vida sem tempero
ronco de barriga
insônia da miséria.

Vendo choro de mãe
com criança no colo
na fila do hospital
dessa vida sem bula
sem cura
sem melhoral.

Vendo abandono de pai:
“Ave-Maria, pai nosso que estai no céu,
como batia, esse filho da mãe!”
Vendo natal sem brinquedo
sem bola nem boneca
uma foto amarelada
do tio Noel
puxando trenó sem cavalo
nas ruas da cidade.

Vendo vaga em escola ruim
de criança que cresce sem creche,
sem merenda, sem leque
raiz dos problemas
de todos meu pobrema.
do destino em xeque.

Vendo sapato furado,
chinelo de dedo e calos nos pés.
Vendo fé cega,
lágrimas enferrujadas
calos nas mãos
de orações não atendidas.

Vendo anjo da guarda
surdo-mudo
sem experiência
contra a pobreza.

Vendo um corpo falido
cheio de rugas
que se abriram como estradas
nessa sina sem rumo, sem saída,
de vida inteira, quebrada...

Vendo rim
fígado, coração
e sonhos dormidos.

Vendo alegria de ano novo
primeiro amor, nunca usado.

Vendo a porra toda.

Vendo desemprego, unha desfeita,
dores nas costas, no peito e dores de amores.

Vendo menina grávida
guarda-roupa sem roupa
vendo menino
no semáforo
equilibrando o limão
da vida amarga.

Vendo bala perdida
que encontra sempre a molecada
nas esquinas escuras
desse destino claro.

Vendo samba de Adoniran
onde a favela fica bonita
com saudosa maloca e tudo,
já tem luz elétrica esse lugar escuro
onde o político se ilumina.

Vendo futuro
que não vale nada
por isso leva
o passado de presente.

Vendo racismo
essa escola de preto no branco
que desfila na avenida Brasil
o ano inteiro depois do carnaval.

Tinha até sorriso e felicidade pra vender
mas como ninguém nunca usou…
se perdeu nos becos da favela.

Vendo alegria,
mas tem que levar a tristeza também.
Família vende tudo,
antes que o incêndio
acabe com ela.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Ai Weiwei - Sem Perdão

Documentário sobre o artista ativista chinês Ai Weiwei.
Eu gostei da história e como foi feito o documentário.
O momento que achei ótimo: Ele em uma entrevista foi questionado sobre quebrar cerâmicas e pintá-las. Ou seja, ele estraga esses objetos considerados preciosos. Perguntam se ele acha que aquela cerâmica é arte. Ele responde que não. Novamente perguntam se a cerâmica tornou-se mais artística depois de tê-la pintado com a escrita da coca-cola. Ele também responde: Não.
A questão para fazer isso, é que ele considera que há muita coisa preciosa sendo destruída: A liberdade das pessoas, a transparência, respeito com a vida humana... Então, porque se importar com as cerâmicas quebradas e "repintadas" estragando-as?
Eu achei genial.



Lançamento: 9 de agosto de 2013 (1h 31min)
Dirigido por: Alison Klayman
Com: Ai Weiwei, Chen Danqing, Ying Gao mais
Gênero: Documentário
Nacionalidade: EUA




Flores Raras

Filme que grudou em mim!
Logo em seguida, fui pesquisar sobre a vida Bishop e outras poesias.
Eu simplesmente adorei.
Filme de uma beleza... poesia!
A maneira como a história foi contada prende e encanta.
Bruno Barreto na minha humilde opinião: É incrível.




Uma Arte

"A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o ocidente de perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subsequente da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio da mamãe. Ah! e nem quero lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. E um império que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

Mesmo perder você (a voz, o ar etéreo que eu amo) não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça muito sério."

Onde Deus Possa Me Ouvir

Sabe o que eu queria agora, meu bem?
Sair, chegar lá fora e encontrar alguém
Que não me dissesse nada
Não me perguntasse nada também
Que me oferecesse um colo, um ombro
Onde eu desaguasse todo desengano
Mas a vida anda louca
As pessoas andam tristes
Meus amigos são amigos de ninguém

Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior
Pra entender por que se agridem
Se empurram pro um abismo
Se debatem, se combatem sem saber

Meu amor
Deixa eu chorar até cansar
Me leve pra qualquer lugar
Aonde Deus possa me ouvir
Minha dor
Eu não consigo compreender
Eu quero algo pra beber
Me deixe aqui, pode sair


Adeus.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Crimes e Pecados

"Onde eu, e minhas escolhas idealistas, se encaixam neste mundo?"

A frase diz tudo, mas eis aqui, o final do filme que é mágico e sensível a muito do que sinto.



Ano de Lançamento (EUA): 1989

Direção: Woody Allen

domingo, 14 de julho de 2013


Ausência de vida

Mulher chorando com lenço (1937) - Picasso
TUDO É AMEAÇADOR PRA MIM

TUDO É DE UM MEDO TAMANHO

SINTO-ME HORRÍVEL

SINTO-ME ODIOSA E ODIANTE EM TUDO

COMO SE OS DIAS FOSSEM SEM FIM E PARA O FIM

E NADA RESTASSE DE MIM

SINTO-ME SEM SAÍDA

PERDIDA PELA VIDA

SINTO-ME ASSIM

SEM NENHUMA INSPIRAÇÃO

COM LOUCURA E PERTURBAÇÃO

COM RAIVA DE TUDO

E COM UMA VERTIGINOSA CONFUSÃO

COM O CORPO DOLORIDO

COM OS OLHOS ADORMECIDOS

SINTO-ME COM UM PESAR

COM UMA TRISTEZA SEM CESSAR

SINTO-ME CHOROSA E ENTENDIADA

VONTADE DE SALTAR PELA SACADA.

SINTO-ME EMBURRECIDA

ENFRAQUECIDA E EMAGRECIDA

SINTO QUE NADA ALIVIA

SEI NÃO O QUE FAÇO

PRA SAIR DESSE MARASMO.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Gran Finale

Por que pessoas são assim?
Vorazes, cruéis, malvadas.
Por que toda essa pista é só ao sinal da fragilidade do outro que  indica?
 
Por que tanto ódio, rancor, tantas palavras de horror?
Por que do descaso e indiferença,
Se estivemos sempre á mesa?

Por que tanta ira e desprezo,
Se nessas idas e vindas houve tantos endereços?

Pra que esse monte de imbecilidade,
Que dói pior que a deslealdade.

Por que tanta aspereza,
Se tantos momentos foram de certeza?

Por que de tudo isso?
De tudo isso, o porquê?

É para fortalecer.
 
Sula
 
 

domingo, 19 de maio de 2013

O Curioso Caso de Benjamin Button

Que essas palavras penetrem sempre em todo meu ser!!!

"Se quer saber nunca é tarde demais (ou no meu caso, cedo demais) pra ser quem você quiser ser. Não há limite de tempo, comece quando você quiser. Você pode mudar, ou ficar como está. Não há regras pra esse tipo de coisa. Podemos encarar a vida de forma positiva ou negativa. Espero que encare de forma positiva. Espero que veja coisas que surpreendam você. Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes. Espero que conheça pessoas com pontos de vista diferentes. Espero que tenha uma vida da qual se orgulhe. E se você descobrir que não tem, espero que tenha forças pra conseguir começar novamente."

Lançamento: 16 de janeiro de 2009 (2h35min)
Dirigido por: David Fincher
Com: Brad Pitt, Cate Blanchett, Julia Ormond mais
Nacionalidade: EUA

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Coração Vagabundo


"Meu coração não se cansa de ter esperança de um dia ser tudo que quer"
..."Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim..."



sábado, 27 de abril de 2013

Teatro de Animação

Apresentação adaptada: "Os cegos" de michel de ghelderode - Teatro de Animação com Lilian Guerra 
Eu e querido e também geminiano Ale.
Experiência deliciosa!


SP Escola de Teatro


terça-feira, 16 de abril de 2013

Therese D.

Pensando sobre esse filme, me vi olhando na janela como a Therese: "Estou com medo"

E esse medo do novo, esse medo que as atitudes não deem conta das ideias, medo de que todo o instinto complexo dessa minha alma tome conta do meu ser e eu não consiga avançar.

Medo esse que é de tudo que eu sou, de todo esse tamanho que não me cabe...de tudo isso que me arde e me consome sem nem eu saber direito o que é!

Mas apesar disso, não me contenho. Mesmo com medo, sigo, nas atitudes mais impensadas. E em busca desse não saber, me revisto, me contorço, me avesso e me faço do que sei:  Sei somente o que não quero.

Dirigido por Claude Miller
Drama
França

Viva a revolução!

Já pararam para pensar?
Estamos vivendo uma revolução "moderna".
O Silas Malafaia e o Marco Feliciano mesmo que estejam sendo promovidos com seus discursos preconceituosos, estão servindo para ajudar a dar voz aos direitos homossexuais.
Toda essa oposição contra os gays, estão contribuindo para que tenhamos um debate sobre essa questão.
Penso que há um ponto positivo em toda essa bobagem que esses... pastores falam. Eles estão trazendo á tona todo o preconceito e desrespeito que a sociedade tem em relação a um casal de duas mulheres ou dois homens e isso está servindo para que também o outro lado possa ter mais força e estímulo para defender os seus direitos.
Pensando em um tempo passado, os negros também foram alvo de abominação por toda a sociedade, foram escravizados, tidos como escória e desprovidos de qualquer noção que os igualassem como seres humanos. Também as mulheres, por muito tempo foram alvo do machismo, preconceito e submissão. Houveram muitas mortes, protestos, discussões e sofrimento até conquistarem seus direitos.
Quando assistimos filmes, documentários que retratam a condição passada do negro ou da mulher, hoje pensamos: Onde já se viu um homem negro não poder usar o mesmo banheiro que um homem branco; um homem negro não poder frequentar a mesma lavanderia que um homem branco?
Há cabimento uma mulher ter que se casar por obrigação? Tem sentido a mulher não poder estudar, trabalhar?
Atualmente ficamos indignados com essas questões, no entanto, antigamente as pessoas foram educados para pensarem assim, e isso era comum.
Espero e torço para que num futuro próximo as perguntas de indignação sejam:
Tem cabimento uma mulher esconder que amava a outra por causa do preconceito dos outros? Há sentido um casal de homens não poderem adotar uma criança? Por que esses casais que se amavam não podiam casar?
Talvez lá na frente essas perguntas que hoje são discutidas em relação ao direito homossexual, comunique a mesma revolta que sentimos em relação as perguntas sobre direitos tão óbvios das mulheres e negros hoje.
Nessa época de preconceito contra negros ou mulheres a sociedade acreditava em uma coisa incomum com o que acreditam hoje relacionado aos gays: Há um padrão de família do qual a igreja julga ser precioso que não podemos quebrar. Então, negros separados de brancos (pois, negros são amaldiçoados) e mulheres submissas e inferiores aos homens e a família (porque essa era objeto de procriação e o homem quem detinha toda a sabedoria e conhecimento).
Imagine só, se não tivéssemos evoluído e hoje o debate de luta dos direitos fosse não só a favor dos homossexuais, mas também a favor dos negros e das mulheres. Será que o mesmo negro que tem repulsa contra o gay teria o mesmo discurso preconceituoso, já que esse estaria vivendo na pele também o preconceito de maneira tão violenta? Será que a mulher que desprovida dos seus direitos e reduzida a uma condição machista, seria também contra os direitos dos homossexuais?
A lógica da coisa é fácil, é só abrir a mente e pensar.
Os direitos dos negros e das mulheres foram conquistados com muito sofrimento e luta. Sabemos que esses ainda sofrem preconceito de alguma maneira, no entanto, hoje não é vergonhoso a mulher trabalhar e ser solteira ou um negro sentado ao seu lado, usando o mesmo espaço que você. O mundo evoluiu, e as crianças que cresceram nesse novo mundo, não foram educadas para sentir horror pela "espécie" negra ou achar a mulher sem préstimo.
Então, sou esperançosa para acreditar que a nova geração também será educada para respeitar um casal de mulheres ou um casal de homens. E com isso, entender que esse padrão de família "heterossexual" é somente uma das maneiras de amar entre várias outras. Antigamente era impossível conceber a ideia de uma mulher solteira criando o filho, hoje sabemos que há famílias onde se tem uma mulher solteira e seus filhos. Antes era impossível aceitar uma mulher branca com um homem negro, hoje isso não é mais proibido.
A mulher hoje não é desrespeitada porque é mãe solteira (pelo menos explicitamente) e também é aceito que brancos e negros se relacionem. (também explicitamente é aceito).
Sobre a questão da família, uma mulher solteira que cria e educa seu filho não pode ser considerada como uma família, porque é mãe solteira? Não é família porque se trata de uma mãe branca e um pai negro?
Nesse caso, as mesmas mães solteiras e casais heterossexuais de negros com brancos que argumentam que crianças adotadas e educadas por homossexuais vão crescer com transtornos psicológicos, devem pensar também na questão psicológica de suas crianças, pois, em um tempo mais atrás, a sua "família" não era vista com "bons olhos".
Ao mesmo tempo, compreendo todos aqueles que nesse momento não conseguem entender o que estou escrevendo e são contra o relacionamento entre duas pessoas do mesmo sexo, pois, foram educados a pensarem assim, como da mesma forma que os seus "tata tataravós" possivelmente foram educados para odiarem os negros e submeterem as mulheres.
Penso que o preconceito e a ignorância estão ligados a instrução contínua que tivemos ao longo da vida, claro que a grande influencia é religiosa, pois, afinal de contas, as ovelhas têm que serem domadas. O que seria da religião se os pensamentos dos fiéis fossem além dos dogmas?
Nesse momento, algumas pessoas não enxergam outras possibilidades porque foram educadas assim, e é só isso que conseguem pensar, no padrão em que estão.
Com a conquista dos casais "diferentes", tenho certeza que lá na frente será possível convivermos de uma maneira menos espantosa e medonha quando vemos dois homens ou duas mulheres juntos e a nova geração se indignará com os direitos que hoje são negados a casais coloridos. :)