quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Quietude


Sem intenção
A sensação de bem estar provoca emoção.

Sem entender porque
A alegria vem sem nada dizer

Sem nada pra contar
A felicidade se instala e leva o choro pra lá

Sem motivo pra rima
Me vem a palavra que sublima

Sem nova ação
Esse vazio me provoca excitação

Tão sem querer
Me inspira a poesia pela graça e não pelo que teima em doer.


Sula.

Minhas Tardes com Margueritte

Margueritte: ...Assim pensa o autor, Romain Gary que adorava sua mãe.
Germain: Por quê. Não é uma história inventada?
Margueritte: Não, é a história da vida dele.
Germain: E se tivesse sido o contrário?
Margueritte: O contrário?
Germain: Sim. E se ele não fosse amado pela mãe, o que teria acontecido?
Margueritte: Sei lá. Se uma criança não recebe amor durante a infância, precisa descobrir tudo depois, não?
Germain: Não sei nada sobre isso. Não sei.

Margueritte lendo pra ele é lindo demais.
As cenas que voltam para a infância do Germain foram essenciais para o sentido do filme. Prato cheio para trabalhos e reflexões em psicologia.

Amei.


Direção: Jean Becker
França / 2010
 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Passageiro


Queria escrever algo bonito sobre a vida.
Queria escrever alguns caminhos, alguns passeios, alguns autores, algumas atitudes para se realizar e ser mais feliz.
Mas, paro e penso sobre o quanto tudo muda tanto e todo o tempo.
Penso no quanto as coisas são efêmeras e como a felicidade é como um rio: fluído e imprevisível.
Não se sabe ao certo para onde vai, só sabemos que corre.
E essa sensação de natureza me faz ter mais tranquilidade.
Tranquilidade para a felicidade, para a tristeza, para a raiva, para a angústia. Tranquilidade para todos esses estados da nossa vida que por mais que desejamos ou não que sejam permanentes, só há a certeza de que fluirá como o rio. Vai embora.
E essa certeza de que irá, me dá um sossego danado para aproveitar o que está.
Aproveite com tranquilidade até dos estados de tristeza, pois, eles irão.
Empenhe-se em dizer e viver todas as verdades que julgar sobre seu estado de felicidade, mas lembre-se que também esse é como o rio.
Se estou num êxtase de paixão e felicidade, logo estou na angústia e desespero.
Se fico triste e raivoso, logo ficarei feliz e esperançoso.
Não há verdade permanente na vida.
A verdade é transitória de acordo com o rio dos nossos sentimentos.

Sula.

O Homem que Ri

Poxa vida, que filme bacana!
Mas acho que foi menor do que poderia ser em relação a trazer uma reflexão mais densa dentro do universo Victor Hugo. Acho que o diretor foi bem leve em relação a crítica política de como a busca pelo poder e domínio contribuem para opressão, miséria e descaso com as pessoas diferentes e de outras camadas sociais.

"As pessoas não são tão más. Elas são perigosas quando têm medo. Elas têm medo de tudo que é diferente".
"...A felicidade deve ficar escondida..."
"...A vida é só uma longa perda daqueles que amamos"


País: França/2012

Direção: Jean-Pierre Améris

Frances Ha

Graça e delícia de filme. Trilha sonora ótima. Cenas engraçadas, doces, sensíveis e reflexivas.
Bem colocado na crítica do site da folha, cena que adorei:

"É preciso estar de mal com a vida, ter o coração de pedra, ser ruim da cabeça ou doente do pé para resistir à cena de "Frances Ha" em que a protagonista sai correndo e dançando pelas ruas de Nova York ao som de "Modern Love", de David Bowie."

"...Oferece um retrato preciso sobre aquela fase da vida em que não sabemos exatamente que rumo tomar, o que fazer da vida --uma fase que, em alguns casos, teima em durar."


DIREÇÃO Noah Baumbach
PRODUÇÃO EUA, 2012

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Sozinho

“Eu sozinho sou mais forte, minha alma mais atrevida. Não fujo nunca da vida, nem tenho medo da morte.
Eu sozinho de verdade, encontro em mim minha essência, não faço caso de ausência e nem me incomoda a saudade.
Eu sozinho em estado bruto, sou força que principia, sou gerador de energia de mim mesmo absoluto.
Eu sozinho sou imenso, não meço nunca o meu passo, não penso nunca o que faço e faço tudo o que penso.
Eu sozinho sou a esfinge pousada no meio do deserto que finge que sabe o que é certo, e sabe que é certo que finge.
Eu sozinho sou sereno e diante da imensidão de toda essa solidão o mundo fica pequeno.
Eu sozinho meu caminho: sou eu, sou todos, sou tudo. E isso sem ter, contudo, jamais ficado sozinho.”
Paulo César Pinheiro

Escolha

“Porque a tudo dou fim depois de dura conquista, é que se a dor me contrista não tenho pena de mim.
Não é que eu seja ruim e nem sequer masoquista, mas é meu ponto de vista, mereço sofrer assim.
Mas se pra que o verso exista, tiver que a dor dizer sim, então serei fatalista: A dor que acenda o estopim e o homem mate-me a fim de que não morra o artista.”

Paulo César Pinheiro

domingo, 22 de setembro de 2013

A Casa dos Homens

Sobre a peça, abordou de maneira ousada e desafiadora a questão da sociedade machista em que vivemos.
Textos como esses são importantes para romper com padrões de ações e oferecer outras possibilidades de reflexão sobre o nosso contexto.
Gostei muito das cenas. Marcante a cena da delegacia da mulher, em que a delegada, questiona o porquê a reclamante de abuso sexual estava na rua aquela hora, já que sabia que algum delito poderia acontecer. Ou seja, a própria delegada num ambiente de apoio à vítima mulher, argumentou embasada no machismo que está impregnado em nossa cultura. Oras essa, para a delegada a mulher que fique em casa e use roupas adequadas, ou então, ela mesma será culpada pelo abuso que poderá sofrer.
Com isso, é importante também pensar que os (as) próprios agentes públicos muitas vezes não têm um ambiente que possibilite refletir sobre as questões da mulher, mesmo trabalhando em um lugar que preste atendimento para essas. As pessoas são alienadas continuamente pelos meios comuns de comunicação, escola, ambiente de trabalho... que reproduzem um padrão de comportamento pejorativo no que refere-se a mulher. 
Os meios de comunicação estimulam o patriarcado com suas propagandas, novelas, filmes. A escola ensina sobre os brinquedos de meninas e de meninos separadamente. As meninas não podem brincar de carrinho, os meninos muito menos podem brincar de bonecas. As meninas têm que cozinhar no fogãozinho de brinquedo, já os meninos jogam vídeo game.
O menino também ao longo da vida é oprimido ao ser ensinado que "homem é forte"; é ensinado que não pode chorar, pois é coisa de "maricas"; não pode usar rosa; não pode brincar de casinha; não pode brincar de boneca.
E ao ser oprimido, como diria o grande Paulo Freire: Vira o opressor. Passa então, a ser opressor da mulher. Ele é quem pode tudo. A mulher é frágil e está submetida as suas condições.
Mas homens e mulheres são iguais criaturas humanas. A questão da humanidade deve preceder a questão de gênero. E a busca de igualdade não refere-se somente ao trabalho e divisões de tarefas domésticas, mas sim, igualdade no que tange o respeito pelo ser humano, independente de ser homem ou mulher.
No entanto, o homem também tem que ser libertado dos padrões de comportamento a que foi submetido. Por isso, feminismo não deve ser a luta da mulher contra o homem, pois, assim, iríamos para a outra esfera do preconceito. O feminismo tem que ser a luta pela quebra desse pensamento estagnado a que nós somos estimulados. Devemos lutar por esclarecer nosso direito ao respeito, nosso direito por igualdade de direitos e direitos esses que são óbvios. Direitos que são do branco, direitos que são do negro, direitos do baixo, direitos do alto, direitos do novo, direitos do velho. Direitos iguais e respeito que independe da questão de cor, sexo, raça, religião. 
 
Infelizmente nós somos ensinados a tratar o respeito de acordo com a circunstância do outro. A condição de ser humano não é o suficiente para ter o respeito. O seu estado (rico, pobre, branco, negro, mulher, homem) é que vai ditar o respeito e direito que terá.


Se é pobre e negro não merece respeito;
Se é rico e elegante merece até espumante;
Se é mulher, vista-se formosa ou então, leva um grito desrespeitoso de gostosaaa;
Se tem dinheiro e status financeiro vira até o meu herdeiro;
Mas se está desempregado seu lugar é do outro lado.


Após a peça houve o debate "Feminismo, Cultura e Política" com a Fernanda da Cia Kiwi de teatro.
Noite boa e proveitosa.
Peça: A Casa dos homens
Coletivo 2° Opinião
Sede Luz do Faroeste

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Ensolarar

Mais um dia de indignação, porém de esperança, amor, troca e inspiração.
Com parceira Vera no projeto junto a Penitenciária Feminina de Santana.
 
Que um dia esse sol que nos ilumina
Possa brilhar com igualdade para todas as pessoas.
Que um dia esse sol que nos ilumina
Possa refletir justiça e iguais oportunidades.
Que um dia esse sol que nos ilumina
Possa aquecer todos os corações e acabar com todo esse padecimento.
 
Sula.

 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Família Vende Tudo


Excelente!
Por Sérgio Vaz (poeta da periferia)

Vendo barraco de madeira
com vista para o córrego
com água e esgoto desencanado
dois por quatro, sem tramela
com buraco
para o frio em entrar.

Devido a pressão
vendo jogo de vazias panelas
frigideira sem óleo
vida sem tempero
ronco de barriga
insônia da miséria.

Vendo choro de mãe
com criança no colo
na fila do hospital
dessa vida sem bula
sem cura
sem melhoral.

Vendo abandono de pai:
“Ave-Maria, pai nosso que estai no céu,
como batia, esse filho da mãe!”
Vendo natal sem brinquedo
sem bola nem boneca
uma foto amarelada
do tio Noel
puxando trenó sem cavalo
nas ruas da cidade.

Vendo vaga em escola ruim
de criança que cresce sem creche,
sem merenda, sem leque
raiz dos problemas
de todos meu pobrema.
do destino em xeque.

Vendo sapato furado,
chinelo de dedo e calos nos pés.
Vendo fé cega,
lágrimas enferrujadas
calos nas mãos
de orações não atendidas.

Vendo anjo da guarda
surdo-mudo
sem experiência
contra a pobreza.

Vendo um corpo falido
cheio de rugas
que se abriram como estradas
nessa sina sem rumo, sem saída,
de vida inteira, quebrada...

Vendo rim
fígado, coração
e sonhos dormidos.

Vendo alegria de ano novo
primeiro amor, nunca usado.

Vendo a porra toda.

Vendo desemprego, unha desfeita,
dores nas costas, no peito e dores de amores.

Vendo menina grávida
guarda-roupa sem roupa
vendo menino
no semáforo
equilibrando o limão
da vida amarga.

Vendo bala perdida
que encontra sempre a molecada
nas esquinas escuras
desse destino claro.

Vendo samba de Adoniran
onde a favela fica bonita
com saudosa maloca e tudo,
já tem luz elétrica esse lugar escuro
onde o político se ilumina.

Vendo futuro
que não vale nada
por isso leva
o passado de presente.

Vendo racismo
essa escola de preto no branco
que desfila na avenida Brasil
o ano inteiro depois do carnaval.

Tinha até sorriso e felicidade pra vender
mas como ninguém nunca usou…
se perdeu nos becos da favela.

Vendo alegria,
mas tem que levar a tristeza também.
Família vende tudo,
antes que o incêndio
acabe com ela.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Ai Weiwei - Sem Perdão

Documentário sobre o artista ativista chinês Ai Weiwei.
Eu gostei da história e como foi feito o documentário.
O momento que achei ótimo: Ele em uma entrevista foi questionado sobre quebrar cerâmicas e pintá-las. Ou seja, ele estraga esses objetos considerados preciosos. Perguntam se ele acha que aquela cerâmica é arte. Ele responde que não. Novamente perguntam se a cerâmica tornou-se mais artística depois de tê-la pintado com a escrita da coca-cola. Ele também responde: Não.
A questão para fazer isso, é que ele considera que há muita coisa preciosa sendo destruída: A liberdade das pessoas, a transparência, respeito com a vida humana... Então, porque se importar com as cerâmicas quebradas e "repintadas" estragando-as?
Eu achei genial.



Lançamento: 9 de agosto de 2013 (1h 31min)
Dirigido por: Alison Klayman
Com: Ai Weiwei, Chen Danqing, Ying Gao mais
Gênero: Documentário
Nacionalidade: EUA




Flores Raras

Filme que grudou em mim!
Logo em seguida, fui pesquisar sobre a vida Bishop e outras poesias.
Eu simplesmente adorei.
Filme de uma beleza... poesia!
A maneira como a história foi contada prende e encanta.
Bruno Barreto na minha humilde opinião: É incrível.




Uma Arte

"A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o ocidente de perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subsequente da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio da mamãe. Ah! e nem quero lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. E um império que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

Mesmo perder você (a voz, o ar etéreo que eu amo) não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça muito sério."